Segunda-feira, 9 de Agosto de 2010

Carlos Drummond de Andrade/ Maria Julieta Drummond de Andrade

                 

                                                                                               

Nascido em 1902 - Itabira do Mato Dentro, Minas Gerais.

 

Morre em 1987 R.J.

 

Pertence à Segunda Geração do Modernismo no Brasil/ Futurismo em Portugal,

com Fernando Pessoa.

 

Forte criador de imagens, sua obra tematiza a vida e os acontecimentos do mundo

a partir dos problemas pessoais, em verso que focalizam

o indivíduo, a terra natal, a família e os amigos.

Embates sociais, o questionar da existência, a própria poesia.

 

Eis Drummond de Andrade:

 

Os ombros suportam o mundo

Tempo de absoluta depuração

Tempo em que não se diz mais: meu amor.

Porque o amor resultou inútil.

E os olhos não choram.

E as mãos tecem apenas o rude trabalho.

E o coração está seco.

 

Em vão mulheres batem, à porta, não abrirás.

Ficaste sozinho, a luz apagou-se,

mas na sombra teus olhos resplandecem enormes.

És todo certeza, já não sabes sofrer

E nada esperas de teus amigos.

 

Pouco importa venha a velhice, que é a velhice?

 

Teus ombros suportam o mundo

e ele não pesa mais que a mão de uma criança.

As guerras, as fomes, as discussões dentro de edificios

provam apenas que a vida prossegue

e nem todos se libertaram ainda.

 

Alguns, achando bárbaro o espetáculo

prefeririam (os delicados) morrer.

Chegou um tempo que a vida é uma ordem.

A vida apenas, sem mistificação.

 

 

Carlos Drummond de Andrade

 

Nota:   

 

Maria Julieta Drummond de Andrade, fillha única de Carlos Drummond de Andrade

e considerada sua eterna musa e grande paixão.

A cumplicidade entre os dois existia no mais simples olhar e também na vocação.

Julieta jamais conseguiu destaque, sufocada pelo sobrenome famoso que carregava.

 

Carlos Drummont de Andrade veio a falecer a 17 de Agosto de 1987, doze dias

após a morte da filha, causada por um cancro ósseo.

 

 

Breve análise de:

 

 

Maria Luísa Adães

 

 

 

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publicado por M.Luísa Adães às 11:54
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De Maria João Brito de Sousa a 9 de Agosto de 2010 às 16:51
Toda a poesia é livre, amiga. Libérrima, em termos semânticos, mas pode ser muitíssimo rigorosa em termos formais. É o caso do Soneto Clássico em decassílabo heróico, que é o que eu utilizo mais... mas há outras modalidades, dentro do próprio decassílabo, para não falar do dodecassílabo do soneto Alexandrino. E ainda temos, no caso dos decassílabos e dodecassílabos, o "pé", que pode variar de soneto para soneto... mas um sonetista com muita prática vai usando um "pe´" bastante constante. E o teu joelho, como vai? Não encontrei poemas novos no Prosa-Poética, vim até aqui, ver se te encontrava e eis que te encontro aqui, com o Carlos Drummond de Andrade! Lindo!
Fiquei com a sensação que me tinhas dado autorização para levar aquela imagem do AVATAR para o Prémios e Medalhas... deixas?
Abraço grande e que esse joelho se recomponha rapidamente!
De M.Luísa Adães a 9 de Agosto de 2010 às 17:49
Mª. João

Muito me apraz encontrar-te e à tua sabedoria em poesia.
Quando falo em "poesia livre" me refiro a quem me comentava e dizia isso, como se fosse uma pedrada.
Sem exagero, isso chegou a acontecer em poemas que para mim, eram lindos e difíceis de escrever.
Aí, eu ficava com vontade de dizer mil coisas, dar mil explicações, justificar-me a quem escrevia e dizia sem saber e sem ter conhecimentos, para o fazer.

Tu nunca estiveste em causa, mas duas pessoas estiveram, nem me lembro quem.
mas me lembro do tom em que escreviam do que não sabiam.

E os aguentei, sem nada dizer.

Se lessem este belo poema de Drummond de
Andrade, podiam compreender o que é
ser livre no escrever.

Mas a mim me ofenderam e eu tive sempre de me calar, até que os abandonei e fiquei apenas
com aqueles que são bons.
E tu és uma delas e há mais...

Essa observação era feita, muitas vezes, por
duas pessoas. sempre as mesmas. Até me lembrei agora quem são e depois os deixei sem
nada dizer e eles me deixaram, felizmente.

Libertei-me, tive essa coragem! E no fundo,
eu não sou ninguém, mas quem me apredejava - era alguém? Para mim não!

Quanto ao que desejas levar para o Prémios e
Medalhas, escolhe o que quiseres e gostares,
até me podes levar a mim!

Tudo te pertence, dou autorização.

Porquê? Me falares na "poesia livre"?
De que te lembraste? Estranho - não?

És um espanto de mulher e às vezes não te entendo.

O joelho está frágil, o calor imenso não ajuda
e hoje fiquei em casa.

Tenho um poema no google. O coloquei no sábado. Não tive tempo de ir ao teu blogs,
desculpa.

Com amizade,

Mª. Luísa

De Maria João Brito de Sousa a 10 de Agosto de 2010 às 12:11
Ó amiga, desculpa... saiu-me aquilo... são conceitos que tenho como dados adquiridos e acho muito, muito triste que alguém seja capaz de atirar a frase "poesia livre" como uma pedrada! Para além de maldade, só revela ignorância... e agora estou um bocadinho zangada e não gosto nada de mim assim... pronto, já estou mais calma.
O teu joelho precisa de muito repouso, não te metas em grandes avarias.
A propósito do Google, acreditas que ainda não descobri como posso fazer para me poderem seguir? Mas eu já tenho uma seguidora... não sei como conseguiu, mas está lá...
Ando a começar a recolher poemas para o livro... já consegui reunir uns 150 e tenho de lhes dar uma sequência literária, não posso despejá-los no livro, sem mais nem menos... e descubro sempre pequenos erros, imagina! Acho que vou ter de os reformular quase todos...
Se não te importas, logo à tarde, levo a tua imagem do AVATAR para o Prémios e Medalhas. Aquelas figuras estão magnificamente concebidas!
Um enorme abraço!
De M.Luísa Adães a 12 de Agosto de 2010 às 11:01
talvez nem fosse maldade,

mas ignorância, vaidade!...

Mª. Luísa
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24. Setembro .2001