Segunda-feira, 29 de Agosto de 2011

José Saramago / Carta Para Josefa, Minha Avó

      

 

 

 

 

 

 

 

Tens noventa anos. És velha, dolorida.

Dizes-me que foste a mais bela rapariga do teu tempo - e eu acredito.

 

Não sabes ler, tens as mãos grossas e deformadas,

os pés encortiçados.

Carregaste à cabeça toneladas de restolho e lenha,

albufeiras de água.

Viste nascer o sol todos os dias.

De todo o pão que amassaste se faria um banquete Universal.

Criaste pessoas e gado, meteste os bácaros na tua própria cama

quando o frio ameaçava gelá-los.

Contaste-me histórias de aparições e lobisomens,

velhas questões de família, um crime de morte.

 

Trave da tua casa, lume da tua lareira -

 Sete vezes engravidaste

 Sete sete vezes deste à luz.

 

Estou diante de ti, e não entendo.

Sou da tua carne e do teu sangue, mas não entendo.

Vieste a este mundo e não curaste de saber o que é o mundo.

 

Chegas ao fim da vida, e o mundo ainda é, para ti, o que era

quando nasceste:

uma interrogação, um mistério inacessível, umas coisas que

não faz parte da tua herança:

quinhentas Palavras, um quintal a que em cinco minutos se dá a volta,

uma casa de telha-vã e chão de barro.

 

Aperto a tua mão calosa,

passo a minha mão pela tua face enrijada

e pelos teus cabelos brancos,

partidos pelo peso dos carregos

e continuo a não entender.

 

Foste bela, dizes, e bem vejo que és inteligente.

Por que foi então que te roubaram o mundo?

 

Mas disto talvez entenda eu, e dir-te-ia o como,

o porquê e o quando se soubesse escolher

das minhas inumeráveis palavras

as que tu pudesses compreender.

Já não vale a pena.

 

O mundo continuará sem ti - e sem mim...

Não teremos dito um ao outro

o que mais importava.

 

Não teremos realmente?

Eu não te terei dado, porque as minhas palavras não são as tuas,

o mundo que te era devido.

 

Fico com esta culpa de que me não acusas - e isso ainda é pior.

 

Mas porquê avó, porque te sentas tu na soleira da tua porta,

aberta para a noite estrelada e imensa,

para o céu de que nada sabes e por onde nunca viajarás,

para o silêncio dos campos e das árvores assombradas,

e dizes, com a tranquila serenidade dos teus noventa anos

e o fogo da tua adolescência nunca perdida:

 

"O mundo é tão bonito, e eu tenho tanta pena de morrer!".

 

É isto que eu não entendo - mas a culpa não é tua.

 

 

Zé   

 

 

Dada a beleza e a sensibilidade desta carta dirigida a todas as avós

do mundo inteiro, não poderia, para mim, passar despercebida.

Não podia!...

 

Um Abraço,

 

Maria luísa Adães

 

 

publicado por M.Luísa Adães às 10:43
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80 comentários:
De jabeiteslp a 29 de Agosto de 2011 às 10:51

que repouse em paz...

como vais tu ?

uma bela manhã pra ti
De M.Luísa Adães a 29 de Agosto de 2011 às 11:49
Jabei

Nada bem de saúde. E com esta nostalgia na
minha volta pelo mundo, eu não podia deixar de colocar esta carta de uma beleza incomparável.

Estou com a vértebra da dorsal, muito mal.
Regressei mal! Transpor esta carta me fez mal
mas não soube resistir - sou poeta, não sou
politica!

Não vou continuar a escrever. Vou para o ortopedista e fico imobilizada, depois de viajar e ver o mundo que minha avó nunca viu e de nada usufruiu e eu também não poude fazer nada por ela!
O meu mundo não foi o mundo dela.

Esta carta foi escrita com a saudade imensa,
da presença dela, a quem tanto amei.

E por estar triste com a minha saúde que é
o principal para poder continuar a viver.

Também eu, que conheço milhentas palavras,
tenho medo de morrer.

Obrigada querido amigo, sempre atento ao
que me proponho escrever.

Bem Hajas!

Maria luísa Adães
De jabeiteslp a 29 de Agosto de 2011 às 15:00

não tenhas medo
é só uma breve brisa
um sopro em forma de lento remoinho...

e uns banhos de água quente em emersão
a diferença por solução...penso eu

vamos levantar esse astral Luisa
De M.Luísa Adães a 29 de Agosto de 2011 às 18:49
O médico ortopedista,
não era especialista da parte dorsal (7ª. Vértebra).


Os outros estão de férias. Não há médico!

Amanhã vou a um neurocirurgião, pois não há ortopedista e vamos ver, se percebe mais do que este.

Descanso absoluto! Isso eu sabia...
O local onde fui é o Hospital do SAMS (bancários) que parece um hotel, mas não tem ortopedista especializado para estes casos
(neste momento).

Só para a próxima semana. Que fazer? Estou
auto-medicada, com a receita da última vez.

Mas vou tentar não ter medo! Um beijo,

Mª. Luísa

Mas amanhã torno, mas ao neurocirurgião.
De jabeiteslp a 29 de Agosto de 2011 às 21:03
bom repouso Luisa



De M.Luísa Adães a 30 de Agosto de 2011 às 09:44
Agradeço!

Mª. Luísa
De poetazarolho a 29 de Agosto de 2011 às 15:38
“Ladrões de mundo”

Os que te roubaram o mundo
Ficaram com mundo demais
Eu estudei-os muito a fundo
E verifiquei que são mortais

Levam muito mundo em cima
Do teu, meu e também do deles
Nós cumprimos a triste sina
Três palmos de um mundo reles

Teu pouco mundo é tão bela
Que à soleira da porta sentada
Nessa noite estrelada e imensa

Te assalta interrogação singela
Feliz no teu mundo, que é nada
Muito mais mundo compensa?
De poetazarolho a 29 de Agosto de 2011 às 15:42
Errata, onde se lê "Teu pouco mundo é tão bela
", deve ler-se "No teu mundo foste a mais bela"
De M.Luísa Adães a 29 de Agosto de 2011 às 18:38
Poeta

"Muito mais mundo compensa?"

E me deixa indecisa,
apesar das suas quinhentas palavras
ela amava o mundo
e tinha muita pena de morrer...

Será que valia a pena
ter tido outro mundo?

O neto sentia que sim,
mas ela tinha encontrado
forma de ser feliz.

E me parece que foi
E se pergunta,
muito mais mundo compensa?

Não sei responder!

Mas que lhe roubaram o mundo...
Isso roubaram,
mas ela nunca percebeu!

Lindo e muito mais havia a dizer,
mas continuo doente
e pouco posso escrever!

Com carinho,

Mª. Luísa
De Lucinda a 30 de Agosto de 2011 às 10:11
Já conhecia a carta, mas á tão linda que merece o teu destaque.

Ela nos mostra, a parte poética de Saramago
que começou por escrever poesia...

Um abraço e obrigada,

Lucinda
De M.Luísa Adães a 30 de Agosto de 2011 às 11:20
Sim a carta está a ser comentada, mas eu a conheço há anos.
Vinha no livro de meu filho, teria ele uns 8 anos e como sabia a adoração que eu tinha pela minha avó, quando mudou de livro, cortou a carta e me ofereceu.

Isto aconteceu há cerca de 30 anos!

Agora em Homenagem a todas as Avós a quem o mundo esqueceu... a trouxe ao meu recanto de que tanto gosto!

Um abraço,

Mª. Luísa
De poetaporkedeusker a 30 de Agosto de 2011 às 12:42
É de uma ternura ímpar, a Carta de Saramago à sua avó Josefa. Já a conhecia mas é sempre um prazer relê-la. Sempre pensei que, ao roubarem o mundo a Josefa, também roubaram Josefa ao mundo... e, no entanto, ela ofereceu, a esse mesmo mundo que lhe foi roubado, um dos maiores escritores de todos os tempos... ironias desta nossa humana vida...
Sei que estás com problemas na sétima dorsal. Cuidado! Não entres em pânico nem te descuides pois um esforço pode ter graves consequências! Eu não me sinto nada bem e penso que terei de me deitar um pouco depois de tratar os animais. Às 5 da manhã estava na rua, a tratar do Sashimi - o gatinho que abandonaram aqui ao pé de minha casa - e apareceu-me outra gatinha, visivelmente esfomeada e tão meiga, tão meiga que fiquei com o coração desfeito por não poder trazê-la para casa. O Sashimi teve a sorte de ser alimentado durante estes treze dias, mas ela está magríssima. Não sei o que faça. Os meus têm leucose e não posso trazer mais nenhum... uma pessoa ficou de me ajudar mas ainda nem falei da gatinha que só apareceu esta madrugada... mas também eu não me sinto nada bem e a coluna dói-me imenso, sobretudo a cervical. Exausta fico sempre que vou a Lisboa, mesmo que vá de carro.
Um abraço muito grande e as tuas rápidas melhoras!
De M.Luísa Adães a 30 de Agosto de 2011 às 18:52
A carta é de uma beleza ímpar.

Há tinta anos, meu filho tinha um livro escolar, onde estava escrita essa carta.

Quando acabou as aulas e mudou de livro,
cortou a página da carta e me ofereceu.

Ele sabia quanto aquela carta me tinha tocado...ele sabia...

E durante 30 anos eu fiquei com a carta a Josefa e como amava muito a minha avó
(ainda amo) ela representava esse amor e a
minha imensa sensibilidade que me levou
à poesia que escrevo.

José Saramago começou pela poesia, mas viu
que tinha de tomar outro rumo para sobreviver e viver da escrita e em boa hora o fez.

Mas nesta prosa-poética (a carta à avó) se nota o poeta que ele foi e em prosa continuou a ser.

Também estou cansada. Cheguei do médico
e já levei uma injeção e tenho um tratamento a fazer de 10 dias. Muito complicado este problema, para o resto da minha vida.

Te escrevi para o poetaporkdeusker.

Não deixes os gatinhos abandonados...

Mª. Luísa
De poetaporkedeusker a 30 de Agosto de 2011 às 21:36
Está descansada que, enquanto eu puder, eles terão o necessário para sobreviver mas não posso trazê-los para casa. Seria condenar dois gatinhos jovens a uma morte muito precoce e dolorosa porque a leucose não tem cura... e eu também não estou a aguentar facilmente nem os que estão comigo há tantos anos... mas não desisto enquanto eu e eles vivermos!
Abraço grande!
De M.Luísa Adães a 31 de Agosto de 2011 às 14:47
Essa doença apareceu em tua casa e se colocares um animal nela, ele vai ser contagiado?
E como apareceu?

Mª. Luísa
De poetaporkedeusker a 31 de Agosto de 2011 às 15:03
Infelizmente veio com o Spirit, um gatinho de aparência saudável que, tal como este, me seguiu até cá e acabou por ficar até morrer, ainda muito jovem. É uma doença viral exclusiva dos felinos mas tremendamente contagiosa e que muito frequentemente tumoriza em diversos órgãos internos. O Spirit durou pouco porque o tumor cresceu na cabeça, junto às vias aéreas... sofri horrores, primeiro porque ele se engalfinhava com os meus velhotes todos e depois com a morte dele, tão precoce. Para o Kico não houve problema porque, como te disse, é exclusiva dos felinos.
Abraço grande!
De M.Luísa Adães a 31 de Agosto de 2011 às 15:22
E os outros sobreviveram, ou não havia mais gatos?

Que coisa tenebrosa aconteceu, Deus meu

Mª. Luísa
De poetaporkedeusker a 31 de Agosto de 2011 às 21:34
Havia mais, sim, amiga. A Minerva foi a primeira a ir-se embora e o Beethoven é o que já apresenta sinais inequívocos de doença. Ainda tenho três machos velhotes e todos têm 99,999% de probabilidades de estarem infectados. A doença pode manifestar-se de forma muito insidiosa e deixá-los viver alguns anos, conforme os locais aonde surjam os tumores e a possibilidade de controlar as infecções secundárias. Mas não é fácil de tratar. Nem barato.
Um abraço gde!
De M.Luísa Adães a 1 de Setembro de 2011 às 10:20
Que descalabro aconteceu nessa casa. Um dia
tarde, muito tarde, terá de ser desinfetada,
para ficar disponível aos que caminham sem abrigo.

Um beijo,

Maria Luísa
De poetaporkedeusker a 1 de Setembro de 2011 às 15:03
É verdade, amiga. Neste momento, com 189 euros mensais e a falta de força muscular, aliada à osteoporose, não estou em condições - nem o mínimo dos mínimos! - de abrigar mais nenhum animal. Já cheguei a albergar 14 num T1 e andavam todos limpos e bem tratados mas, neste momento, já não aguentaria. O Beethoven está, de novo, a fazer tratamento e, só com ele e com o Kico, gasto horas e horas do meu dia.
Abraço grande!
De M.Luísa Adães a 1 de Setembro de 2011 às 15:15
Até tens toda a razão! De acordo contigo!

Mas não te vejo sem animais à tua volta!
Verdade - não vejo, nem sinto...mas tens toda a razão!

Abraço,

Maria luísa
De poetaporkedeusker a 1 de Setembro de 2011 às 15:44
Não sei como é viver sem animais à volta de mim... não sei mesmo mas, se lhes sobreviver, vejo que não tenho condições físicas nem financeiras para voltar a tê-los. Acredita que não temo a morte. Temo a falta de afecto e de dignidade com que, às vezes, são tratados alguns doentes, mas não a morte. Uma vez, há uns dois anos, caí desamparada de cima de um banco, de costas no chão. Não me podia levantar e passou-me pela cabeça que fosse morrer ali caída. O único "medo" - mesmo medo daquele que dói e nos faz levantar apesar das dores - foi o de que os animais ficassem sozinhos, sem água e sem comida. Ainda hoje penso nisso e até sorrio. Vai-me custar horrores, mas espero que eles partam antes de mim... no entanto tudo faço para lhes prolongar a vida e não os ver sofrer e eles ultrapassam-se a si mesmos em carinhos, marradinhas e olhares de ternura. É um pequeno zoológico onde o amor e a dedicação nunca faltam, aquela minha casa!
Mas ainda não fui nem sequer ao gmail! Até já!
De M.Luísa Adães a 1 de Setembro de 2011 às 17:18
Caíste, não te podias levantar, pensaste que morrias e eles ficavam sem amparo.

Eu sentiria o mesmo!

Um abraço,

Mª. Luísa
De poetaporkedeusker a 1 de Setembro de 2011 às 23:30
Somos criaturas que alguns devem achar estranhíssimas... mas somos assim e eu acredito que tu sintas exactamente como eu, em relação aos animais não humanos.
Agora vou dizer-te que, enquanto procurava os poemas do nosso amigo, vi a carta... olha, uma carta que se entitulava "Deus e Saramago"... escrita pelo nosso amigo! Que curiosa e bela carta! Vou relê-la!
Abraço grande!
De M.Luísa Adães a 3 de Setembro de 2011 às 08:27
Verdade, somos diferentes...
Eu já lhe respondi a essa carta sobre Deus e Sarramago e ele concordou com a minha análise. Está por aqui no post de Sarramago, e a resposta é bem interessante!

Não esqueças o próximo caminho é Guernica,
numa análise sempre breve para não cansar.

Mas no fundo tudo vai ao encontro da miséria
que chegou a este País ( a idéia é essa).

Abraço,

Mª. Luísa
De poetaporkedeusker a 3 de Setembro de 2011 às 14:46
O nosso amigo deixou-me, com efeito, um sonetilho com esse nome, Guernica... já nem sei exactamente como lhe respondi mas sei que "peguei" na lágrima vermelha que Picasso manteve no olho esquerdo do cavalo até, no trabalho final, ter decidido retirá-la. Não posso, neste momento, dar-te grandes referências senão a da biografia mais interessante que li sobre o velho Pablo e que foi escrita por Antonina Valentin. Não me recordo da editora e não sei onde tenho o livro guardado, mas foi, das biografias que li, a que considerei mais humana e, apesar disso, muitíssimo objectiva. Se fores aos meus comments, verás o sonetiho do Poeta Zarolho e a minha resposta, sem título, também em sonetilho... um bocadinho "coxo" mas, ainda assim, sonetilho.
Até já.
De M.Luísa Adães a 4 de Setembro de 2011 às 10:41
Tu ainda não apareceste na minha Guernica.
Ele passou esses versos para lá a meu pedido e
Guernica veio através desses versos e no
sentido do simbolismo do quadro que apela à paz e à tolerância.

Passa por lá... o rumo que isto está a tomar é
humano para mim e politico para ele, mas é muito interessante.
Mas eu tenho de parar, pois o acontecido ontem com o pc e o meu susto me deixou um ollho esquisito e o meu pai, teve uma trombose aos 59 anos.
Estou com medo disto. Os medicamentos são muitos e eu continuo a não estar bem.

Te peço, vai a Guernica - tu fazes falta!
E neste momento eu não posso dar mais e até
devia parar a 100% e não sei se não o terei de fazer!

Abraço,

M.L.
De poetaporkedeusker a 4 de Setembro de 2011 às 21:25
Suponho que a tua Guernica esteja no post a seguir a este... já uma vez fiz uma triste figura por não encontrar um post teu mas, desta vez já estou prevenida. Vou lá agora. Temos de ter imenso cuidado com estes aparelhómetros que estão ligados à electricidade... já apanhei alguns choquezitos mas nenhum tão grande quanto o que descreves!
De poetazarolho a 30 de Agosto de 2011 às 12:56
“Mundo ensanguentado”

O mundo não esquece ninguém
Que essa dúvida não te assalte
Acontece na actualidade porém
Haver mundo que te sobressalte

Por este mundo sobressaltado
Não deves deixar-te assustar
O mundo vamos ver mudado
Assim não poderá continuar

Irá para melhor, irá para pior?
Não sei, depende do nosso saber
Essa ansiedade deves dominar

Vais ver que te sentirás melhor
Sabes, muito sangue irá correr
Nada poderás fazer pró estancar.
De M.Luísa Adães a 30 de Agosto de 2011 às 18:28
Poeta

O mundo vai mudar
o mundo está em mudança...

Eu vou ficar
planar, voar,
cantar, amar!

Se o mundo me deixar...

Mas o mundo me esquece,
Isso eu tenho a certeza!

Escreva eu o que escrever
Cante eu o que cantar
O mundo vai esquecer.

E não demora a acontecer!

Mª. Luísa
De poetazarolho a 30 de Agosto de 2011 às 18:55
Tanto pessimismo não é bom para a 7ª cervical, vamos lá a melhorar esse ânimo.
De M.Luísa Adães a 31 de Agosto de 2011 às 07:59
Na realidade a 7ª. da dorsal (não é cervical
foi provocada por uma queda há um ano e meio, não gosta de nadar (eis a razão da recaída) e não gosta de ser incomodada com pesos (agora nem poucos), nem gosta que eu escreva muito (aí talvez tenha alguma razão)
e me condiciona... é para respeitar!

Eu vou tentar dar-he razão
vou gostar dela
não me vou enervar
e vou amar,
mesmo os que não gostam de mim.

Talvez ressuscite de novo e com mais saúde.

Vou escrever só, aos amigos que me escrevem
e continuar a escrever, para mim e para eles.

Recebo com gosto os visitantes e são muitos
E vou amar, ainda mais, os verdadeiros amigos.

Mas nisso de "verdadeiro" tenho dúvidas,
mas não vou aprofundar - ela - vértebra
deseja estar em paz.

Vou tentar,

Maria Luísa

De poetaporkedeusker a 31 de Agosto de 2011 às 15:16
Peço-te desculpa, Maria Luísa, mas li este comment do nosso amigo comum e não resisto a dizer-lhe que quem está aflitinha da cervical, sou eu!
Abraço grande para ambos! :)
De M.Luísa Adães a 31 de Agosto de 2011 às 18:00
Eu já retifiquei o nosso amigo.

É a "7ª. da Dorsal" e é terrivel. Já estou medicada por um neurocirurgião, ontem no
SAMS.
Os ortopedistas, especialistas da Dorsal,
estavam todos de férias. Mas este foi muito bom! Deixei agora um poema nos "7degraus".

E fica até eu estar boa, mas vou responder a quem me escreve, como faço aqui e lá não o
tenho feito.

Até amanhã, se Deus nos ajudar!

Mª Luísa
De poetaporkedeusker a 31 de Agosto de 2011 às 21:13
Vou já ao 7degraus. Esta chuva toda não veio ajudar nada o jovem Sashimi... nem o consegui ver ainda hoje. Deve estar escondido debaixo de algum carro. As nossas colunas também não se sentem no seu melhor com tanta humidade...
Até já!
De M.Luísa Adães a 1 de Setembro de 2011 às 10:26
Já te encontrei nos "7degraus" e o comentário é muito bom.
Ainda lá vou para responder ao teu comments
estava para começar e responder no lugar aos que me escrevem, mas já tenho alguns e faz diferença responder a todos de repente.
Escolho alguns - posso escolher...

Me surpreenderam! Abraço,

Maria luísa
De poetaporkedeusker a 1 de Setembro de 2011 às 15:05
É bom ser-se surpreendida!
Vou até lá... também não fui ontem ao Horizontes nem ao Pekenasutopias...
De M.Luísa Adães a 1 de Setembro de 2011 às 15:19
E vais ficar surpreendida. Tive de mudar minhas intenções. Fica para uma próxima.

Maria luísa


p.s. o nosso amigo comum hoje não apareceu
e interessante, senti a falta dele.
De poetaporkedeusker a 1 de Setembro de 2011 às 23:15
Ele não falha! A esta hora já te deve ter deixado aí os seus dois poemas do dia! Abraço amigo!
De M.Luísa Adães a 3 de Setembro de 2011 às 08:20
Mª. João

Ele não fallha!
Eu lhe pedi para passar os versos de Guernica para
"o novo post sobre Guernica".
Se te for possível, toma o caminho de Guernica.

Um abraço grande,

Mª. Luísa
De poetaporkedeusker a 3 de Setembro de 2011 às 14:50
Como te disse, já respondi ao sonetilho Guernica... mas... o que queres dizer com "toma o caminho de Guernica"? Não te estou a entender...
Até já!
De M.Luísa Adães a 4 de Setembro de 2011 às 11:12
Significa :

Lê Guernica
Acompanha Guernica
É o post mais recente
e é nele que eu quero
que tu fales do que sabes
sobre a cidade mártir.

Conta o que sabes sobre as figuras.
Eu perdi um jornal antigo que descrevia de forma sublime, o significado de todas as figuras. Foi uma grande perda, para mim!

Mas se tu sabes...
enriquece com teu saber
o que o poeta está tentando fazer.

E somos três...

Mª. Luísa
De poetazarolho a 30 de Agosto de 2011 às 14:18
“Linda vaquinha”

Corte histórico na despesa
Tem data e hora marcada
A malta vai ficar toda tesa
Depois não pode pagar nada

É chamada de despesa zero
Não é da troika é mais além
E o orçamento eu cá espero
Que seja base zero também

Assim ficamos todos a nulos
E ninguém se poderá queixar
Que andam por aí uns chulos

Fartos de nos andar a roubar
Mas eles é que vão ficar fulos
Por a teta da vaca estar a secar.

Prof Eta
De M.Luísa Adães a 31 de Agosto de 2011 às 14:44
Será que a teta da vaca está a secar?

Ou o líquido vai para outro lugar?

Já pensou?

Mª. luísa
De poetazarolho a 30 de Agosto de 2011 às 22:08
Uma carta ao Eurodeputado,

“Deus, Saramago e os outros”

Caro Senhor Eurodeputado quantas vezes já se deslocou a Viena para assistir à ópera num dos faustosos salões da Volksoper Vienna Opera House, presumo que algumas, mas caso ainda não tenha ido aconselho-o a que vá, esta temporada tem um programa bem recheado.

Caro Senhor Eurodeputado quantas vezes já se deslocou a Cucujães de Baixo para verificar as paupérrimas condições em que vive a D.Alzira com a sua parca reforma, presumo que nenhuma, e ainda assim aconselho-o a que não vá, pois poderia ferir a sua sensibilidade e bem precisa dela para apreciar as belezas dessa Europa

Caro Senhor Eurodeputado quantas vezes já se deslocou a Salzburgo para assistir à fabulosa interpretação das obras de Mozart, presumo que algumas, mas caso ainda não tenha ido aconselho-o a que vá, esta temporada tem algumas boas estreias.

Caro Senhor Eurodeputado quantas vezes já se deslocou a Cucujães de Cima para verificar as dificuldades que o Sr.Apolinário tem para ir vivendo e pagar o rol de medicamentos que tem que tomar, presumo que nenhuma, e ainda assim aconselho-o a que não vá, pois poderia retirar-lhe o animo e bem precisa dele para lutar por nós aí.

Caro Senhor Eurodeputado aconselho-o a que fique por aí muitos e bons anos a lutar pela melhoria das condições de vida de todos nós, que bem precisamos e nos tempos livres vá gozando também algumas das belezas e da gastronomia dessas paragens, a propósito não se esqueça daquele restaurante muito famoso no centro de Bruxelas, do qual agora não me lembro o nome e se puder dê uma boa gorjeta ao Luís que serve aí à mesa e que é sobrinho da D.Alzira.

Já agora e se me permite Senhor Eurodeputado só um último conselho não tente meter-se nos assuntos onde estejam envolvidos Deus e Saramago, porque o Senhor nem em bicos de pés chega a tocar nas vigas que suportam o soalho que ambos pisam.
De M.Luísa Adães a 31 de Agosto de 2011 às 14:19
Estupendo. do melhor, adorei!

E essa parte final,
em que aconselha o Eurodeputado a não se envolver com Deus e Sarramago, está correta!

Ele não chega aos locais a que Deus no outro
lado e Sarramago também no outro lado,
chegam.

"Um pormenor", eu sou humanista, ou procuro ser e devo dizer sem ofender...

Sarramago, não está com Alguém, em quem não acreditava...

Para ele Deus nunca existiu! Não o contesto,
só me admira ter esccrito demais, sobre um
Ser inexistente.

Então , não o podemos colocar no pedestal junto com Deus - ele não ia gostar!

Cuidado nessas comparações
(sem ofensa ou julgamento).

O texto é muito bom! O final está incoerente
na ligação entre Sarramago (a quem estimo)
E Deus (a quem amo).

Cada um no seu lugar! E Deus só serviu, para
uma situação sem nexo, na história literária
do Nobel. Para mim foi o seu único erro.

Mas não julgo - não posso nem devo julgar!


Eu só quis com sinceridade e a minha verdade
fazer a destrinça entre os dois.

Deus sempre o amou e o beneficiou (para os crentes) ele talvez se lembrasse do destino, mas quem traça o destino somos nós, a sorte,
ou Alguém acima, muito acima de nós?

Aqui está uma resposta sem ofender os que creem e os que não creem.

Só não quero que Sarramago se zangue, pois
já não se pode defender, escrevendo mais um
livro sobre Aquele que não existia para ele...

Neste aspeto, nunca o entendi!

Mas muito bom o que escreveu e polémico
também. Mas analize!

Um abraço,

Maria luísa

De poetazarolho a 31 de Agosto de 2011 às 14:29
Certamente as suas pertinentes observações serão tidas em linha de conta e serão objecto de reflexão, obrigado por comentar. Este texto já o escrevi faz algum tempo já nem me recordo porque os coloquei sobre o mesmo soalho, ou serão soalhos ao mesmo nível mas em sítios diferentes ? Não sei já não me recordo ! Obrigaod.
De M.Luísa Adães a 31 de Agosto de 2011 às 14:40
Mas aceitou e muito bem e eu agradeço o seu
valor, ao fazê-lo.

Não interessa ser soalho ou ter outro nome.

Importa é que é uma verdade que o meu amigo aceitou! A isso se chama "Dignidade"

Mª. Luísa
De poetazarolho a 30 de Agosto de 2011 às 22:09
Uma carta ao Zé,

“As intermitências da vida”

Ontem sentimo-nos todos morrer, a vida tem destas intermitências, foi precisamente como se de um vazio se tratasse, algo estranho acontecera, por alguns instantes não conseguimos sintonizar-nos com a vida, precisamente por essa intermitência que se havia dado, mas afinal logo verificámos que tudo estava bem.

A vida prosseguia normal, a polémica em torno de um grande da nossa cultura, prosseguia como até então, incomodando e desassossegando, como sempre quis e sempre parece ter conseguido, pelo menos deve ter incomodado e desassossegado todos aqueles a quem a consciência pesa, ou talvez não, não sei.

Não sei, mas sei que essa intermitência cedo cessou pois logo vozes se levantaram a criticar a sua próxima viagem de avião, pobres diabos de má consciência, incomodada e desassossegada, deixem o homem viajar em paz ao menos uma vez na vida, é fim de semana vão para a praia bronzear, bronzeiem por fora e por dentro, torrem de vez essas consciências.

E se muitos apareceram a criticar as suas tomadas de decisão, logo outros tantos se apressaram a elogiar e a colar-se a tão distinta figura, mesmo muitos que antes ignoraram, agora colam-se, para quê logo agora, deixem o homem tomar as suas decisões em paz ao menos uma vez na vida, é fim de semana vão para o casino Lisboa, torrar as vossas carteiras após terem torrado essas consciências.

E já agora Zé, se sempre desassossegaste e deixaste na ignorância todos esses ignorantes, continua a fazê-lo como até aqui, não aceites a boleia que te querem oferecer, não deixes que invadam o espaço da tua intimidade e sobretudo conserva essa capacidade de continuar a desassossegar quem continuar a teimar cruzar-se pelos teus caminhos.
De M.Luísa Adães a 31 de Agosto de 2011 às 13:39
Poeta

Belo texto! E o final, muito bom!

Merece prémio. Parabéns,

Mª. Luísa
De poetazarolho a 31 de Agosto de 2011 às 14:21
Obrigado, escrevi-o no dia da morte do grande escritor e Nobel português.
De M.Luísa Adães a 31 de Agosto de 2011 às 14:35
Bela inspiração! Parabéns de novo!

Mª. luísa
De poetaporkedeusker a 1 de Setembro de 2011 às 23:42
Caramba! O nosso Poeta é bom, muito bom, nas suas cartas! Que maravilha! Adorei estas cartas!
De M.Luísa Adães a 3 de Setembro de 2011 às 08:30
É bastante bom e eu o vou acompanhando,
retificando algumas idéias e elr agradece.
Interessante, o rumo que está a ser dado!

Mª. Luísa
De poetaporkedeusker a 3 de Setembro de 2011 às 14:19
Muito interessante! Eu só o conhecia enquanto poeta. Não lhe conhecia a prosa que considero muitíssimo boa. Infelizmente eu não estou bem e sempre que o físico se ressente, deixo de conseguir escrever seja o que for que valha a pena.
O nosso amigo continua a deixar-me sonetilhos como comentários e eu, pelo menos a ele, vou sempre tentando responder. Faço um sonetilho sem qualquer qualidade poética, mas que acaba por ser engraçado porque eu respondo automaticamente, como se alguém estivesse a falar comigo e eu tivesse de responder "à letra"... este é o verdadeiro espírito da desgarrada e é por isso que eu "fecho os olhos" à qualidade formal. Só não sei se, no estado de exaustão a que cheguei, vou conseguir fazer mais alguma coisa nos próximos tempos. Ontem um amiga convenceu-me a ir ao supermercado com ela e eu ia morrendo de cansaço só por isso. Tive de andar amparada a um dos carros maiores e, mesmo assim, foi difícil acompanhá-la. Hoje terei de voltar, com o meu carrinho de compras, porque preciso de areias, mas não sei onde irei buscar forças para as trazer, lavar e mudar os litters deles. Mas tem de ser porque isto está insustentável! Hoje nem consegui dar, ainda, a medicação ao Beethoven porque ele vomita tudo e mais alguma coisa... por todo o lado. Também vou ter de lavar o sofá... não sei como, mas vou.
Até já!
De M.Luísa Adães a 4 de Setembro de 2011 às 10:22
Ele escreve bem! É um poeta satirico, voltado para a politica, mas interessante para responder, com essa conversa tipo Bocageana,
onde o vate respondia a tudo, ao que devia e não devia e assim gastou o talento, sem escrever uma obra.

Estou e ele está muito longe dele, mas era este tipo de versos que se trocavam naqueles tempos.
Quanto à saúde, a minha ainda muito má e
ontem apanhei um susto medonho com o pc
do qual senti uma descarga elétrica que pensei
que a minha cabeça ia ao ar e eu morria.
Ainda me sinto muito abalada e a vértebra
continua a dar sinal e o tratamento continua.

Sinto que estou mal! Isto que faço ( e ontem duvidei da minha cabeça) está mal...

Estamos ambas mal, só as circunstâncias e o cenário do palco, são diferentes.

Um abraço,

Mª. Luísa
De poetaporkedeusker a 4 de Setembro de 2011 às 21:19
Estamos ambas menos bem, amiga. Penso que um dos meus grandes problemas era um episódio de hipertensão arterial... esta tarde estava a sentir-me péssima e lembrei-me de ir buscar o esfigmomanómetro... 19,4/11,1... fui logo tomar o comprimido extra de Lercadinipina e lá baixou.. mas ainda está altinha.
Tenho a impressão de que estou a seguir os passos do nosso grande Vate... mas sei que são uns passos muito coxinhos, estes meus... enfim, é tudo ou quase tudo o que consigo escrever...
A propósito, mencionei-te num postal que publiquei no Face com a caricatura do meu bisavô António Joaquim de Sousa Júnior, pai do poeta António de Sousa. Ele foi o primeiro Ministro da Instrução da nossa primeira República e a ele se deve, entre muitas outras coisas, a erradicação da Peste Bubónica do arquipélago dos Açores.
Até já!
De M.Luísa Adães a 5 de Setembro de 2011 às 07:20
Tu trazes a génese do poema.
Quanto a mim se desconhece semelhante dom na família.
E mais, a família despreza o dom, fingindo que
não existe, incluindo a minha irmã e minha
sobrinha (médica) que tem uma certa cultura.
É um desprezo que dá para perceber e sentir.

É uma espécie de Karma ou é mesmo Karma!

Mª. Luísa
De poetaporkedeusker a 5 de Setembro de 2011 às 14:10
Trago sim, e dos dois lados! O meu tio materno que morreu preso político no forte de S. Julião da Barra, o jovem Tenente Coronel Manuel Barata Salgueiro Valente, também era um exímio sonetista! Já publiquei no meu prémios&medalhas um belíssimo soneto dele, em decassílabo heróico. Sei que tenho por cá mais alguns mas guardei-os tão bem - por causa dos animais - que não os encontro...

Não te aborreças por causa da opinião da tua família! Eu tenho uma irmã que sabe que eu tenho um blog de sonetos e nunca se deu ao trabalho de o ler... disse mesmo ; "Vi o blog, vi , mas não li os teus poemas porque tenho mais que fazer!" Eu não ligo.Paciência. Não gosta, não gosta... não é por isso que eu vou desanimar!
Até já!
De M.Luísa Adães a 7 de Setembro de 2011 às 15:38
Foi mais ou menos semelhante.

"Mas aceito melhor o erro de quem fala
do que a inveja do que fica calado!

Vivo à minha maneira!

Mª. luísa



De poetaporkedeusker a 7 de Setembro de 2011 às 15:54
Todos temos as nossas defesas pessoais contra as atitudes que nos podem aborrecer...
Eu já aceito muito mais do que é comum aceitar-se, a imensos níveis...
Este cansaço é que é horrível! Até o raciocínio se faz em câmara lenta... vou tentar ir tomar um café... não costuma ter, em mim, efeito hipertensor e sempre me desperta um bocadinho...
Abraço!

PS - tenho e sempre tive dificuldade em compreender isso, a inveja. Consigo perceber que muitas pessoas funcionam altamente condicionadas por ela... mas faz-me uma confusão!
De M.Luísa Adães a 7 de Setembro de 2011 às 18:08
Eu também, mas no caso a que me referi, alguém me disse "é feitio da pessoa" e creio ser
verdade.

Nasce com a pessoa...

No entanto, eu tenho outros defeitos - não sei se piores e nem isso deveria ter dito.

Foi um julgamento e não o devo fazer e não o vou tornar a fazer (espero)!

Até amanhã e força. A minha vértebra morde
e tenho de parar!

Mª. L.
De poetaporkedeusker a 7 de Setembro de 2011 às 19:39
Cuidado com essa vértebra! Mal sintas qualquer dorzinha, vai descansar!
Até já!
De M.Luísa Adães a 7 de Setembro de 2011 às 19:44
É isso mesmo! Também tem sido o stress das obras.

Abraço,

M.L.
De M.Luísa Adães a 31 de Agosto de 2011 às 14:59
Texto muito bom! Nada há a contestar!
E o final é poético e como poeta, eu adorei!

Maria luísa
De poetazarolho a 30 de Agosto de 2011 às 23:21
“Poema impossível”

Prostrados na terra do pecado
Levantar-nos-emos do chão
Levantar-nos-emos ou não ?
Pergunta ao homem duplicado

O ensaio é sobre a cegueira
Ou será sobre a lucidez ?
O elefante viajou outra vez
E na caverna a luz escasseia

A jangada de pedra afundou
Intermitência da morte acabou
Caim fez esforços incríveis

A todos os nomes ele apelou
Provavelmente alegria acabou
São estes os poemas possíveis.
De M.Luísa Adães a 31 de Agosto de 2011 às 08:22
Poeta amigo,

Sem perguntas
nem conselhos
Levantemo-nos do chão.

O ensaio pode ser pela cegueira
O ensaio pode ser pela lucidez.

Me envolvo mais
pela lucidez.

A cegueira também é lúcida
e se faz o ensaio pela cegueira
e se faz o ensaio pela lucidez.
Juntemos as duas...

A verdadeira Luz escasseia
Caím foi considerado o bom,
Mas os poetas são assim
E deslumbram!

Só estes poemas são possíveis?
Talvez...
Tanto se escreve sobre o amor
e o amor escasseia, cada vez mais.

E a palavra se perde
na multidão que escreve
acerca dela.

E lhe tira o valor
Aquele Valor que pode
Salvar a Terra.


Maria luísa

De MIGUXA a 31 de Agosto de 2011 às 00:46
Adorei a carta, pela sensibilidade, pelo realismo...

Adoro-te amiga e não te sabia assim doente...mantém o teu corpo em repouso e cuida-te, tudo vai voltar ao normal, tens de acreditar ...
Muitos beijinhos carinhosos, do coração
Até já
Margarida
De M.Luísa Adães a 31 de Agosto de 2011 às 09:19
A 7ª. da dorsal, me atirou abaixo de novo.

Não gosta de muitas coisas e também não gosta de nadar (razão da recaída).

Ando de médico em médico e agora faço um tratamento especial com um "neurocirurgião"
sem garantias futuras (mas gostei dele)

Não havia ortopedistas especializados nesta
vértebra perigosa - estavam todos de férias.

Me mediquei antes de encontrar solução e não
o devo fazer, mas a vértebra quando acorda,
é de matar o mais forte.

Aconteceu esta queda há um ano e mais meio
e é, a terceira recaída.

Sem perguntas,
tenho de
"Me Levantar do Chão ".

A carta, a conheço há cerca de trinta anos
e sempre a adorei, como adorei minha avó.

E meu filho, talvez com 8 ou 9 anos, a tinha
no livro onde estudava.
Quando passou o ano, ele cortou com cuidado a carta, lhe colocou pequena dedicatória, e
me ofereceu.
Ele sabia, daquele meu grande amor que ainda não morreu, nem morre comigo, assim
como josefa não morreu para josé, que começou a vida literária como poeta.

Depois mudou e em boa hora o fez, pois os poetas de qualidade, estão em vias de extinção.

Muito me comoveu esta oferta de um filho
que foi para tão longe, mas não nos esqueceu.

Fomos muito amigos, mas tudo mudou e
deixou esta linda recordação, ligada a esta
carta que só há pouco começou a circular pelo
mundo.

Esta carta consta do livro de Crónicas

"Deste Mundo e do Outro"

Editora Arcádia, 1971
Editorial Caminho - 2ª. Ed. 1985, 3ª. ed.1986



"Os Poemas Possíveis"

Editado pela Portugália Editora -1966

Editorial Caminho 2ª. ed. 1982, 3ª. ed. 1985

E foi o primeiro e o único livro de poemas
que Sarramago escreveu.

Mas não foi apenas a Caminho que o editou, foram várias e famosas, mas quase tudo faliu.

A minha Editora, também faliu há uns anos,
já se notava a falta de interesse e nalguns casos, a falta de dinheiro.

Aí tens, do pouco que sei o muito que posso dar!

O meu livro ainda não saíu e agora surge o
problema Maior que é a falta de saúde.

Mas há outros problemas maiores - cada um no seu plano - mas todos maus!

Um abraço e agradeço tua atenção.

Com amor,

Maria Luísa

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